I’ll be your mirror…

Recentemente tem se falado muito sobre preconceito, homofobia, racismo e fanatismo religioso. Todos nós sabemos que esse tipo de comportamento é fruto da ignorância. Mas, como se dá o processo psicológico interno das pessoas que tomam partido de ideologias tão débeis, alienantes e, graças à Deus, já moribundas? Vamos misturar um pouco de psicanálise e psicologia analítica no nosso caldeirão para descobrir à luz do conhecimento o que acontece com essas infelizes criaturas?

Podemos dizer que, num nível primário, as pessoas têm três pulsões psicológica: Id, Ego e Super-Ego. O Id é o universo primitivo, é a pulsão animal, o instinto de sobrevivência, reprodução/prazer sexual e agressividade. O Ego é uma espécie de universo semi-consciente humano (mas que tem o potencial para se tornar plenamente consciente), responsável por intermediar as diversas pulsões do ser e por possibilitar o equilíbrio entre essas pulsões, mas que geralmente, quando não trabalhado de forma saudável, acaba rejeitando certos aspectos do ser e criando mecanismos de defesa como a persona para atuar contra esses aspectos rejeitados. Super-Ego seria uma espécie de eu-ideal, responsável por ditar os comportamentos adequados e leis que devem ser seguidas e intimidar ou subornar o Ego através de reforços positivos ou reforços negativos.

Esse é um quadro por demais negativo do ser humano. Existem outras possibilidades, mas na realidade, na maioria dos casos, as pessoas se limitam somente à esses aspectos. O que ocorre nesse tipo de pessoa é uma submissão nada saudável do Ego ao Super-Ego, e a criação de uma Persona terrível para subjugar e esconder as pulsões do Id. Basicamente, essas pessoas vivem em função de agradar a imagem ideal que fazem do Papai, da Mamãe, da Sociedade, do Governo e da Igreja, ou seja, vivem em função de subjugar seu próprio ser para seu Ego/Persona receber reforçadores positivos (e evitar os negativos) do próprio Super-Ego e do Ego/Persona de outras pessoas que também são subjugadas pelo próprio Super-Ego. Simples né?

Mas aqueles que não possuem equilíbrio interno ou força de vontade suficiente para não ceder aos assédios desequilibradorescom certeza não são feitos de ferro. Cedo ou tarde a pessoa que rende devoção extrema ao Super-Ego vai ceder ao Id. Nessa hora o Id aparece, sob o véu da persona, na forma de fanatismo, radicalismo, sectarismo et cetera, et cetera.

Id como abordado na psicanálise pode ter alguma identificação com a Sombra da psicologia analítica, com a diferença que, para Jung e para os estudiosos que se identificam com os seus trabalhos, a Sombra não abarca somente os aspectos animalescos e primitivos do ser, mas também aspectos sublimes e divinos.

O problema e o entrave na expansão da consciência se dá quando as pessoas perdem o controle e deixam se levar somente por uma das pulsões. Seja pelo Super-Ego ou pelo Id. Assim o Ego entra em choque e cria uma persona que irá atuar de modo a esconder os aspectos indesejados na Sombra. Esse é o caminho inverso à natureza, é um caminho destrutivo. O correto é trazer à consciência os aspectos ocultos e descobrir que eles não são tão ruins, são naturais e saudáveis.

Para a psicologia junguiana e para diversas correntes espiritualistas, quando o ser está em equilíbrio, o Ego, o Id, o Super-Ego, a Sombra, se tornam um só e deixam de existir, dando lugar ao Self, a plenitude do ser.

Geralmente o que ocorre nos fanáticos religiosos, por exemplo, na verdade não é homofobia. É self-fobia. Eles têm medo de si mesmos. Para os fanáticos religiosos, as pessoas que não partilham das suas idéias são espelhos. São reflexos do que eles mesmos poderiam ser se não cedessem ao medo: livres. Aí ocorre a projeção. Mecanismo pelo qual as pessoas dão vasão aos aspectos da Sombra através da Persona para que a mente consciente não reconheça esses aspectos como fazendo parte delas mesmas. É o famoso comportamento “shift the blame” que deu origem ao velho jargão do “macaco que não olha pro próprio rabo”.

Não sabemos ao certo quanto tempo levará para que as pessoas deixem de lado o medo, que é a origem de todas as formas de preconceito. Mas é certo que cedo ou tarde as pessoas deixarão o medo de lado, afinal, como nos ensinou o Mestre Yoda: “Fear leads to anger. Anger leads to hate. Hate leads to suffering”. Cedo ou tarde as pessoas terão consciência de que o medo só traz sofrimento e de que a origem do preconceito está no medo de conhecer a si mesmo se identificando com as outras pessoas.

Baby_Mirror

“I’ll be your mirror”

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"NOSCE TE IPSUM"
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