Da Inércia à Criatividade

Dos Objetivos Pessoais e da Relação Destes com a Vida em Sociedade

É inerente ao caráter humano a vontade de ser útil à sociedade e ser útil aos outros seres humanos. Afinal as relações humanas se baseiam em trocas. Obedecendo a um instinto inato e às inclinações pessoais chega para todos certo momento na vida em que começamos a conjecturar o que faremos com ela, a vida, ou melhor, como faremos para viver de modo que sejamos úteis e produtivos. Ou ainda, num nível de pensamento mais próximo ao mundano: como faremos para ganhar dinheiro para conseguir as coisas que desejamos. E aí começamos a traçar metas para o futuro. É importante, no entanto não fácil, analisarmos as nossas próprias ambições de um ponto de vista neutro, para que possamos discernir se as metas estabelecidas não contrariam de forma alguma nossa própria natureza. Agir naturalmente é a chave para o sucesso. Sobretudo no que diz respeito ao sucesso profissional, que é a base para o sucesso pessoal e para uma vida plena. Quando, seja por qualquer motivo, acabamos contrariando a nossa natureza, nos colocamos num caminho desfavorável à realização dos nossos objetivos. Alguns seres humanos nascem ou desenvolvem determinado talento para o trabalho burocrático, e embora eu não consiga entender o que leva um ser humano a se interessar por esse tipo de ocupação, muitas pessoas desenvolvem essas habilidades e ganham gosto por esse trabalho. Desenvolvem-se nesse campo de ação e tornam-se úteis para todos. E sendo útil a outras pessoas, você está sendo útil para você mesmo, pois a sociedade é composta por várias camadas que interagindo se apoiam, e o trabalho realizado por um ser humano proporciona meios para que outro ser humano alcance as suas metas. O desafio aqui é descobrir como, seguindo sua natureza, você possa realizar o seu trabalho, e através desse trabalho você possa partilhar sua natureza, sendo útil a humanidade.

Do Talento Inato

Um touro não pode voar. Esse aforismo encerra, de forma bem concreta diga-se de passagem, o que quero dizer com ”talento inato”. O touro não pode voar, não obstante Bull_of_Heaven_by_koranaartpossui uma força capaz de mover a terra de tal maneira que os outros animais próximos sintam as vibrações de suas poderosas passadas. Uma ave pode não ter a força física de um touro, não obstante, voando nas alturas tem uma visão ampla do que se passa na terra. Seguindo cada qual seu instinto utilizam-se das habilidades naturais desenvolvidas através dos inúmeros anos de evolução para desempenhar seu papel no ciclo da vida. É lógico que nós, diferente das outras espécies de animais que habitam este planeta, nos expressamos e exercemos nosso papel de uma maneira mais plural. Não é saudável para nós fecharmo-nos numa única gama de experiências. Pelo contrário, devemos nos encorajar à empresa que é explorar ao máximo os nossos potenciais. Tomemos como exemplo Leonardo da Vinci, pintor, escultor, escritor, arquiteto, engenheiro, músico, matemático, anatomista, geólogo, cartógrafo, botânico et cetera, et cetera, et cetera, ad infinitum. Mas para que possamos chegar a um nível de excelência em determinada arte, ou ainda em muitas formas de arte, como fez Leonardo, temos que começar a partir de um ponto, e a partir desse ponto iremos expandir nosso campo de consciência e manifestação de nós mesmos. Assim como o touro que possui enorme força ou a ave que pode voar, cada um de nós possui um dom inato. Uma habilidade que se destaca em nós e que pode ser usada como um ponto de partida, como uma base, para que as outras habilidades que porventura desejamos adquirir venham a ser desenvolvidas. Cabe a cada um de nós descobrir que aptidão particular é essa e aceitá-la, para que, abstendo-nos de qualquer forma de julgamento com relação a ela, a usemos como mais uma ferramenta a favor da nossa evolução pessoal e da melhoria do ambiente em que vivemos.

Dos Reforços Positivos e Negativos e Da Consciência da Responsabilidade

Traçando seus objetivos você acabou de dar o primeiro passo. Agora é importante manter o ritmo. E como todo motor necessita de combustível, com o ser humano não poderia ser diferente. O que te impulsiona? O que faz você seguir adiante? Pode ser dinheiro. Pode ser a vontade de aprender. Pode ser o sentimento de realização proporcionado por um trabalho bem feito que trouxe reconhecimento como profissional. Pode ser a felicidade de ajudar outras pessoas. Pode ser tudo isso ao mesmo tempo e ainda mais. Junte todas as coisas que te estimulam a trabalhar e extraia delas a energia necessária para seguir em frente. Isso é o que chamam de reforço positivo. A contraparte do reforço positivo obviamente é o reforço negativo. Um ótimo exemplo de reforço negativo, que pode ser aplicado nessa situação, é o seguinte: imagine que se você deixe se levar e não exerça sua força de vontade sobre você mesmo e sobre sua vida, e por ignorância própria acabe recorrendo constantemente a condutas prejudiciais, acabe perdendo a confiança em você mesmo, acabe perdendo seu equilíbrio e venha a se afastar da sua própria natureza, e acabe não conseguindo realizar o trabalho que você deve realizar, você vai acabar se tornando um ser humano miserável. Um ser humano miserável, com um emprego que você odeia, no qual você ganha uma mixaria, fazendo sempre a coisa errada na hora errada. Enclausurando-se num círculo vicioso de ignorância e medo. Uma prisão que você mesmo acabou construindo. Então, se esse for o caso, pare de se lamentar, pare de colocar a culpa em experiências externas, barreiras materiais (ou sensoriais) aparentemente intransponíveis ou em outras pessoas. Assuma a responsabilidade pelo seu sucesso. A única pessoa responsável pela sua vitória ou pela sua derrota é você mesmo. Na maioria das vezes, por medo e por ignorância, você acaba se tornando seu maior inimigo. Descubra, aceite e aperfeiçoe suas habilidades naturais, extraia energia das matérias primas que você reunir, tenha consciência da responsabilidade que você tem para com você mesmo e para com a humanidade, e mantenha o ritmo.

Da Praticidade Voltada à Objetividade

Nós seres humanos, acostumados a agir num modus operandi que prioriza um mundo puramente material, tendemos a dar demasiada importância às nossas faculdades sensoriais em detrimento de outros aspectos do nosso ser. O que limita gravemente o sentido das nossas experiências e nos enlaça num igualmente ocluso ciclo de pensamento onde a causalidade linear é colocada em primeiro plano quando nos propomos a refletir sobre os aspectos da vida mundana. Nesse caso, nosso objetivo é modificar gradativamente uma mecânica de pensamento através da qual nos conduzimos com frequência a comportamentos e decisões impróprias. Isto é, condutas e decisões que obstruem nosso processo de crescimento. É uma tarefa muito simples, trata-se basicamente de nos acostumarmos a não pensar e agir levando em consideração somente os sentidos. Quando falo sentidos me refiro aos cinco sentidos básicos. É lógico que para um desenvolvimento pleno do ser devemos também aperfeiçoar essas faculdades, porém quando se trata de encontrar soluções práticas para a vida cotidiana, basear sua visão somente nelas irá trazer grandes limitações. Apesar disso podemos observar que as pessoas em geral acreditam que as causas e efeitos se restringem somente àquilo que seus sentidos materiais podem captar. É importante nos colocarmos numa perspectiva neutra com relação aos nossos sentidos. Fazendo isso teremos a capacidade de ponderar com simplicidade sobre as adversidades que por ventura venham surgir em nosso caminho e assim encontrarmos uma solução prática. Para isso é necessário abdicar do sentimento de importância que com frequência damos a questões pequenas que não exercem tanto poder sobre nós como geralmente acreditamos. É necessário perceber que qualquer solução pode ser encontrada através da simplicidade de pensamento. “O método pragmatista é, antes de tudo, um método de terminar discussões metafísicas que, de outro modo, seriam intermináveis. O mundo é um ou muitos? Livre ou fadado? Material ou espiritual? Essas noções podem ou não trazer bem para o mundo; e as disputas sobre elas são intermináveis. O método pragmático nesse caso é tentar interpretar cada noção identificando as suas respectivas consequências práticas (…) Se nenhuma diferença prática puder ser identificada, então as alternativas significam praticamente a mesma coisa, e a disputa é inútil.” Agindo de maneira pragmática e objetiva, não encontraremos dificuldades para criar os meios pelos quais alcançaremos nossas metas. É muito simples: trata-se de decidir o que deve ser feito e fazer.

Conclusão

Analisando a relação entre os objetivos pessoais, o trabalho e as relações sociais, observamos que para se atingir as metas almejadas e alcançar o sucesso como profissional e por conseguinte uma vida plena em todos os sentidos, é necessário produzir algo que seja objeto de interesse comum a várias pessoas. Observamos também que além de realizar um trabalho que possa trazer benefícios à humanidade em geral, você tem que fazer esse trabalho bem feito, para que sendo atestada a qualidade daquilo que você produz, você atraia maior atenção para o seu trabalho e venha a ser reconhecido por aquilo que faz, sendo assim é imperativo que seja escolhida uma ocupação para a qual você já possua uma aptidão natural. Além disso vimos que para que você mantenha a produtividade, realizando o seu trabalho com persistência, diligência e assiduidade, é necessário energia, e uma fonte básica de energia é a motivação, e a melhor fonte de motivação a que você pode recorrer é ter a consciência de que tu mesmo é o protagonista da tua história e único responsável pela realização dos teus objetivos. Depois de toda essa teoria a única coisa que falta é colocar a mão na massa. Planeje seu dia a dia de modo prático. Se vier a surgir um problema que entrave seu progresso, pondere sobre ele com simplicidade, valha-se do pragmatismo, lembrando-se que, pelo menos nesse caso em particular, “o sentido de uma idéia corresponde ao conjunto dos seus desdobramentos práticos”. Desse modo, que todos nós possamos realizar nossos trabalhos, para que continuemos a nos desenvolver de maneira plena e que de acordo com a nossa consciência e a nossa natureza tomemos parte na grande obra que é o cosmo.

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Sobre L. F. Barbosa

"NOSCE TE IPSUM"
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