Introdução ao Monomito e à Arquetipologia

O que é o Monomito?

O termo Monomyth foi usado pela primeira vez pelo poeta e romancista irlandês James Joyce, em seu livro Finnegan’s Wake. De fato, uma obra extremamente complexa, que aborda temas psicológicos profundos. Joyce é conhecido por ser um desafio para qualquer leitor, independente de quantas graduações ele possua.

Joseph Campbell conta em seu Mito e Transformação que durante o período da grande depressão nos Estados Unidos, retirou-se para o interior e lá ficou por cinco anos, lendo. Algumas das obras que leu eram da autoria de Joyce, e estas foram fundamentais para que ele percebesse as noções básicas de narratologia presentes nelas e em outras obras da literatura mundial, e fizesse um paralelo entre essas ideias e os estudos de Sigmund Freud e Carl Gustav Jung. Em 1944 Campbell chegou a publicar um livro, em parceria com seu colega Henry Morton Robinson, intitulado A Skeleton Key to Finnegan’s Wake, inteiramente dedicado à exploração dessa obra. Mas foi em sua mais célebre publicação, de 1949, intitulada O Herói de Mil Faces, que ele se dedicou a um estudo mais profundo e amplo do Monomito e da Psicologia. Foi nessa obra também que surgiu o termo A Jornada do Herói.

De acordo com Campbell, o Monomito é uma espécie de jornada arquetípica presente em vários contos mitológicos/religiosos ou obras literárias. O protagonista da história, o Herói, passa por uma sequência de estágios, e pode se traçar um preciso paralelo entre essas etapas que o protagonista atravessa e diversos símbolos ou metáforas que interagem com a nossa psique. Em O Herói de Mil Faces ele mapeou esses estágios e explicou os paralelos entre esses símbolos e a nossa psicologia pessoal.

O trabalho desenvolvido por Joseph Campbell foi de suma importância para o desenvolvimento da arte contemporânea, sobretudo quando se trata de literatura, graphic novels, obras cinematográficas e até video games. No entanto sua influência é observável até em formas de arte mais abstratas como a música. Embora os mitos clássicos possuam uma força ancestral e tenham como base valores espirituais e religiosos, podemos observar nos mitos contemporâneos um valor simbólico semelhante. Obras como Star Wars, Harry Potter, Matrix e o game God of War, por exemplo, exercem uma influência considerável sobre os seus fãs e além de lhes proporcionarem entretenimento, os apresentam a uma variada gama de conceitos que, interagindo diretamente com a personalidade e as ideias deles, podem inclusive fornecer matéria prima para a formação do caráter.

O Monomito em seu nível básico é divido em três estágios: PartidaIniciação e Retorno.
No  primeiro estágio o Herói se vê em seu mundo comum, mas de alguma maneira esse mundo não o completa, logo acontecerá algo que trará uma grande mudança e o Herói será impelido à aventura. No segundo nível, a Iniciação, o Herói passa por uma série de provações e acontecimentos extraordinários; a aventura. E finalmente o protagonista retorna para o seu mundo comum trazendo o conhecimento, os poderes e as recompensas que adquiriu durante seu período de provas. Estes três estágios ainda são sub-divididos em vários níveis onde todos os arquétipos relacionados são explorados, sendo abordados de forma mais abrangente no conteúdo das obras de Campbell.

O que é Arquétipo?

A palavra vem do grego, Arkhe: Princípio, Origem, Causa Primal. Typos: Imagem, Grafia, Forma.

Desse modo, pode-se entender como a “Imagem Primal”, ou simplesmente, a “Primeira Impressão”. E como dizem os ditados, a primeira impressão é a que fica, e uma imagem vale mais do que mil palavras.

Geralmente podemos definir como Idéias-Imagem presentes em vários níveis da nossa consciência. Por exemplo, quando ouvimos ou lemos a palavra Herói imediatamente uma imagem nos vêm a mente. Seja ela composta por um um guerreiro feroz, vestindo uma cota de malha, brandindo uma espada e um escudo, investindo contra um maligno e ganancioso Dragão; ou seja a imagem de um moleque vestindo uma roupa vermelha e azul, pulando de prédio em prédio, soltando teias e combatendo o crime. Em ambos os casos o herói é um símbolo de força de vontade, coragem e sacrifício. Ambos lutam por uma causa maior e por pessoas que por diversos motivos são incapazes de lutar por si mesmas. Entregam-se a essa luta sem se importar com o próprio sofrimento. Como Frodo e Sam a caminho da Montanha da Perdição. Ambos acreditavam que morreriam lá e jamais veriam o Condado novamente, e mesmo assim seguiram a sua jornada, para salvar seu povo e seu lar.

Assim como guardamos em nossa mente a imagem do Herói, guardamos também por exemplo, a imagem da Princesa, que em algum momento será salva pelo Herói.

Essa é uma definição geral do conceito. Mas cada arquétipo guarda em si inúmeros significados. Pois uma imagem fala de forma diferente conforme o observador. Devemos também nos lembrar que a mesma imagem sendo observada pelo mesmo indivíduo numa segunda ocasião terá o seu conjunto de significados expandidos, pois o observador está ele mesmo em constante mudança, causando assim uma metamorfose também na sua interpretação do símbolo em questão.

Jung diz, “Nenhum arquétipo pode ser reduzido a uma simples fórmula. Trata-se de um recipiente que nunca podemos esvaziar, nem encher. Ele existe em si apenas potencialmente e quando toma forma em alguma matéria, já não é mais o que era antes. Persiste através dos milênios e sempre exige novas interpretações. Os arquétipos são os elementos inabaláveis do inconsciente, mas mudam constantemente de forma”.

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